Solidariedade mantém chama de forno acesa e ajuda a matar a fome em meio à pandemia

Exemplos de ações solidárias estão sendo vistas em várias regiões do país como resposta à crise da Covid-19

A Padaria Jardim Santo Alberto está há 52 anos no bairro que dá nome ao estabelecimento, em Santo André. Desde a fundação pelos portugueses Serafim e Luiz, pai e tio, respectivamente, do atual proprietário Márcio Godinho, 49 anos, o forno da panificadora nunca apagou. E, na pandemia do novo coronavírus, ajudou a matar a fome de quem mais precisa, com a produção de 61 mil pães por meio de parceria com o empresário Hilton Aparecido Magri Lúcio, 49, diretor executivo de empresa de consultoria e engenharia ambiental, na Capital.

Logo nos primeiros meses de pandemia, quando os comércios não essenciais fecharam as portas e a população ficou em casa, o faturamento do estabelecimento caiu 60%, uma vez que comercializa não apenas os tradicionais pãezinhos, mas também serve almoço, pizza e lanches. Godinho ficou “desesperado”, já que a padaria é não apenas o arrimo da própria família, mas também das 25 pessoas que trabalham no local e de seus dependentes.

Mas a esperança veio junto com a solidariedade do amigo Lúcio, que se ofereceu para comprar parte da produção. Além de significar a chance de manter os negócios e os empregos, ajudaria a matar a fome de pessoas em situação de vulnerabilidade. Após negociar os pães a um preço menor, a produção começou e, diariamente, entidades receberam o alimento. Foram pelo menos 34 mil unidades doadas em 2020. “Objetivo é ajudar um pequeno negócio e manter a economia rodando”, afirmou Lúcio.

Conforme colegas e amigos souberam da iniciativa, Godinho começou a receber mensagens de pessoas que também queriam ajudar, e se formou uma corrente solidária. “Teve gente que contribuiu com R$ 100, R$ 200 e até R$ 600, tivemos várias doações, o pessoal ficou bem solidário. É como um círculo. Meu amigo compra o pão, que nos ajuda e também a entidades, que doam a quem mais precisa e por aí vai”, contou.

Neste ano, com o agravamento da pandemia, os negócios da padaria voltaram a complicar após nova proibição para atendimento ao público. “Mesmo quando está autorizado, não temos a demanda de antes porque as pessoas ainda estão com medo de sair de casa por causa do vírus”, observou Godinho.

Isto, somado à nova onda de instabilidade que a Covid-19 trouxe, fez com que a dupla de amigos resolvesse retomar a corrente de solidariedade. Desde maio, 200 pães são doados todas as manhãs. Nesta etapa, a ideia é manter as doações pelos próximos cinco meses, totalizando mais 27 mil unidades doadas. As entidades beneficiadas são Apoio e Desafio Jovem Santo André, que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social e nutricional.

Godinho destaca que a pandemia escancarou as diferenças sociais. “Muita gente ficou desalentada, é muito triste, ajudamos como conseguimos”, afirmou. Expectativa é que, com mais pessoas ajudando, seja possível levar alimento ao maior número de pessoas possível. “Vamos ver até onde conseguimos ir”, completou.

Fonte: Diário do Grande ABC