Professora faz doações de kits para recém-nascidos da região

Inspirada na avó materna, Mariana Binato monta kits com itens essenciais para bebês recém-nascidos e faz as doações em hospitais da região

Memórias afetivas aquecem o peito e mantêm vivas as lembranças de quem já se foi. Seja na produção das receitas de bolo da mãe, no apreço da mesma música que o pai ouvia ou, quem sabe, ao tricotar como a avó, muitas pessoas se debruçam em valores familiares para seguir os ensinamentos dos antepassados.

E, para manter os feitos da avó Cecy Binato, que faleceu em 2015, a artista e professora Mariana Binato de Souza, 32 anos, se envolve, periodicamente, na organização e montagem de kits com roupinhas e outros itens importantes para todo bebê recém-nascido. O projeto envolve amigos e familiares, em especial a mãe, Neca Binato de Souza, que já doou vários metros de novelos de lã para a confecção de cobertores e roupinhas.

Carinhosamente batizado de Enxoval da Vó Cecy, a iniciativa já é antiga e tem o objetivo de presentear mães e puérperas em situação de vulnerabilidade social. O projeto começou pelas mãos da Vó Cecy, em meados de 2000, quando recebia doações para confeccionar peças e doar no Centro Espírita da Vila Renascença em Santa Maria. Inicialmente, era chamado de “Roupeirinho Perpétua Albertani”, nome de uma tia de Cecy que a incentivou a começar o projeto.

Em 2016, ao se tornar mãe de Bento, Mariana separou as roupinhas que ficavam pequenas para ele e enviava para doação. Além disso, ela passou a incentivar as amigas a fazer o mesmo:
– A primeira doação foi para uma amiga que é enfermeira do HUSM. Em janeiro de 2017, o “Enxoval” renasceu com o apoio da minha mãe e de tantas outras pessoas que, até hoje, me ajudam costurando, tricotando, comprando fraldas e doando roupas dos filhos – conta ela.

A professora calcula ter feito mais de 80 doações a gestantes de São Pedro do Sul, Santa Maria e de outras cidades da região que precisam de roupinhas.

Ao longo desses anos, Mariana transformou o sonho da avó e da tia Perpétua, em realidade. Ela reconhece, também, que, com a internet, fica mais fácil de ajudar e ser ajudado:

– O projeto faz bem e me inspira a continuar. Gestantes que necessitam de enxoval e quem deseja contribuir podem entrar em contato conosco pelas redes sociais. Precisamos de doações de roupas de 0 a 1 ano, novas ou usadas, fraldas tamanho RN (recém-nascido) e P, lenços umedecidos, novelos de lã, tecido atoalhado para toalha de banho, soft, sabonete e cotonete.

VALORES FAMILIARES
A relação da Mariana com um projeto familiar antigo, do ponto de vista da psicologia, chama-se de transmissão geracional que, de forma prática, é explicada pelo psicólogo Carlos Eduardo Seixas.

   – Em alguns tipos de família, os filhos seguem a identificação de valores familiares que os pais transmitem para as gerações seguintes. E valor, aqui, é relacionado à identificação emocional mesmo, bem como acontece com filhos que seguem no ramo de negócio dos pais e acabam aperfeiçoando o que eles faziam. Costumo dizer que, para tudo, a gente pode pensar que: se você sente, é porque faz sentido. E quando os valores familiares fazem muito sentido, isso tem uma importância muito grande para que os projetos se desenvolvam, mas não com formato de obrigação.