O que é ESG e como implementar essa tendência nos pequenos negócios

Sigla é um conjunto de critérios sustentáveis que pode melhorar os resultados de empresas a longo prazo

A ESG, sigla em inglês para “Environmental (ambiental), Social (social) and Governance (governança)”, é uma tendência de sustentabilidade no âmbito corporativo. Cada letra da sigla é baseada em um pilar que envolve cuidado com o meio ambiente, responsabilidade social e boas práticas de governança em um negócio. Apesar de ser realidade principalmente em grandes empresas, a pauta ESG também pode se tornar um norte para o crescimento de pequenos empreendedores.

“ESG passou a ser uma variável de sucesso de qualquer negócio, grande ou pequeno. Microempreendedores que tiverem políticas de inclusão social, de gênero, de respeito aos diretos humanos, políticas de compliance, respeito às normas ambientais e compromissos climáticos passarão a acessar dinheiro mais barato e mais rápido”, afirma Rômulo Sampaio, professor de Direito na Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro.

Para ser inserido nesse universo, é necessário entender o que significa cada termo da sigla ESG – e, sobretudo, como aplicar esses critérios no seu negócio. Confira:

Environmental (ambiental)

Esse primeiro critério está associado ao cuidado com o ambiente e como a empresa se comporta em relação às causas sustentáveis. Desde a preocupação com a emissão de gases poluentes, o aquecimento global, até a produção de lixo.

Social

A letra S envolve a parte social da empresa. Ou seja, como ela lida com seus funcionários, parceiros e clientes em temas como proteção de dados, direitos humanos, atendimento e diversidade.

Governance (governança):

A letra G está associada à governança da empresa e diz respeito à forma como a instituição gere as suas questões internas. Assuntos como ética e transparência, canal de denúncias ou compliance, política de remuneração e constituição do conselho.

Em tempos de novos estilos de consumo e maior consciência sobre o papel social e ambiental de empresas no mundo, a pauta sustentável está cada vez mais valorizada. É a partir de cada pilar da sigla ESG que pequenos e microempreendedores podem redirecionar esforços internos e se tornarem exemplos de negócios sustentáveis.

“Assim como nas grandes empresas, as práticas de ESG devem ser estratégicas e culturais. É preciso mudar, desde a forma com que um novo produto é idealizado até o conjunto de processos envolvidos para sua operação”, afirma a engenheira civil e especialista em gestão de projetos Gisele Blak Bernat.

Esse novo olhar garante que os aspectos ESG sejam inseridos de forma genuína na rotina de empreendedores e ainda colaborar para um futuro ecológico para o planeta.

Pequenas atitudes podem fazer a diferença

A adoção de práticas simples é possível até em realidades com menos recursos, como é o caso dos microempreendedores. Basta seguir alguns primeiros passos.

“A criação de uma política de compliance, o compromisso com a equidade de gênero são exemplos de micro ações que não demandam grandes investimentos e que podem ser inseridas dentro de uma trilha organizada e planejada de ESG. Na esfera ambiental, formulação de uma política de economia circular, gestão de resíduos e melhor aproveitamento de recursos hídricos são outros bons exemplos que podem ser implementados em todos os tamanhos de empresas”, destaca Rômulo.

Mais do que reunir recursos, é importante dispor de planejamento e compromisso com a agenda sustentável para implementar ações ESG. Assim, não só a empresa possui chances de crescimento, como também o microempreendedor atrai mais investimentos para o seu negócio.

Benefícios a longo prazo

Os benefícios da cultura ESG para os microempreendedores não estão associados apenas às questões de meio ambiente e sustentabilidade. Por ser uma mudança cultural e estratégica, ela também traz vantagens competitivas em relação ao mercado.

“Desenvolvimento sustentável é suprir as necessidades atuais sem afetar as capacidades de futuras gerações de fazê-lo. As gerações mais recentes possuem naturalmente uma preocupação muito maior com as causas voltadas para a sustentabilidade. Logo, o empreendedor que compreende e reposiciona seus produtos na direção desses novos clientes, sem dúvida, terá ainda mais chances de melhores resultados ao longo dos anos”, destaca Gisele.

Além disso, essa mudança de perspectiva acarreta também em uma valorização financeira, já que os bancos e investidores estão atentos à responsabilidade que possuem sobre a gestão ambiental. Para Gisele, esse é o futuro sustentável que veremos nos próximos anos.

“É um grande diferencial competitivo e uma forma de destacar-se para atrair investidores nacionais e internacionais e ainda contribuir para a sustentabilidade global. No futuro, empresas mais aderentes ao ESG tendem a ganhar mais dinheiro, pois são mais perenes, sustentáveis e ‘pivotáveis’”.

Fonte: G1.