Solidariedade com a Ucrânia se espalha pelo mundo

Com passeatas à luz de tochas, ou simples caminhadas nas ruas, as manifestações de solidariedade com a Ucrânia e contra a invasão russa se multiplicam em todo o mundo

25/02/2022 - Protesto em Roma contra a invasão russa à Ucrânia — Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters

25/02/2022 – Protesto em Roma contra a invasão russa à Ucrânia — Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters

Com passeatas à luz de tochas, ou simples caminhadas nas ruas, as manifestações de solidariedade com a Ucrânia e contra a invasão russa se multiplicam em todo o mundo, da Argentina à Geórgia, passando por Canadá e Itália.

Na sexta-feira à noite (25), quase 30 mil pessoas se reuniram na Geórgia, antigo país soviético. A guerra, que segundo Kiev já custou a vida de pelo menos 198 civis, provocou um sentimento de “déjà vu” na Geórgia, também vítima de uma devastadora invasão russa em 2008.

Os manifestantes marcharam pela principal rua da capital, Tbilisi, agitando bandeiras ucranianas e georgianas e cantando os hinos nacionais de ambos os países.

“Ucranianos, georgianos, o mundo inteiro deve resistir a Putin, que quer restaurar a União Soviética”, declarou Meri Tordia, professora de francês de 55 anos.

“A Ucrânia está sangrando, e o mundo está assistindo e falando sobre sanções que não conseguem parar Putin”, acrescentou ela, chorando.

Protesto em Dortmund, na Alemanha, contra a invasão russa à Ucrânia — Foto: Ina Fassbender/AFP

Protesto em Dortmund, na Alemanha, contra a invasão russa à Ucrânia — Foto: Ina Fassbender/AFP

Em Roma, uma marcha à luz de tochas com milhares de participantes desfilou na noite de ontem, até o Coliseu, com cartazes que diziam “Putin, assassino!”, “Sim à paz, não à guerra”, ou ainda “Banir a Rússia do Swift”.

“Sempre fomos próximos do povo ucraniano (…) Daqui, nosso sentimento de impotência é enorme. Não podemos fazer mais nada no momento”, disse à AFP Maria Sergi, de 40 anos, uma italiana nascida na Rússia.

25/02/2022 - Manifestantes em Roma exibem cartaz com a imagem de Vladimir Putin com um bigode de Adolf Hitler e uma suástica, símbolo nazista — Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters

25/02/2022 – Manifestantes em Roma exibem cartaz com a imagem de Vladimir Putin com um bigode de Adolf Hitler e uma suástica, símbolo nazista — Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters

Vladimir Putin “causou muitos danos, até mesmo ao seu próprio povo. Temos muitos amigos que sofreram muito por causa de sua política”, acrescentou.

Em Atenas, na noite de sexta-feira, em frente à embaixada russa, mais de 2 mil pessoas se reuniram a pedido do Partido Comunista e do partido de esquerda radical Syriza.

 

Manifestações de solidariedade fora da Europa

Tóquio, Taipei, Curitiba, Nova York e Washington também foram palco de manifestações.

Mulher protesta contra a invasão à Ucrânia na frente da Embaixada Russa em Washington — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Mulher protesta contra a invasão à Ucrânia na frente da Embaixada Russa em Washington — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Na Argentina, cerca de 2 mil pessoas, incluindo imigrantes ucranianos e argentinos de ascendência ucraniana, manifestaram-se em Buenos Aires, pedindo à embaixada russa “a retirada incondicional” das tropas “assassinas” de Putin.

Embrulhados na bandeira ucraniana, vestidos com trajes tradicionais, com faixas em espanhol, ucraniano, ou inglês, dizendo “Pare a guerra”, ou “Putin tire suas mãos da Ucrânia”, os manifestantes gritavam palavras de ordem em ucraniano, como “Glória à Ucrânia, Glória aos seus heróis” e cantavam os hinos ucraniano e argentino.

Ela chegou com a filha à Argentina em 2014, após a anexação russa da Crimeia.

Em Montreal, no Canadá, dezenas de pessoas não hesitaram na tarde de sexta-feira em enfrentar uma tempestade de neve para protestar sob as janelas do Consulado Geral russo.

Protestos em Londres contra a invasão russa. Placa de manifestante diz "Putin queime no inferno" — Foto: Tolga Akmen /AFP

Protestos em Londres contra a invasão russa. Placa de manifestante diz “Putin queime no inferno” — Foto: Tolga Akmen /AFP

“Putin, tire suas mãos da Ucrânia”, cantaram em coro.

“Sou contra esta guerra”, afirmou Elena Lelièvre, engenheira russa de 37 anos, em entrevista à AFP.

25/02/2022 - Jovem protesta em Berlim conta a invasão russa à Ucrânia — Foto: John Macdougall/AFP

25/02/2022 – Jovem protesta em Berlim conta a invasão russa à Ucrânia — Foto: John Macdougall/AFP

Com o cabelo escondido sob um gorro verde, Ivan Puhachov, estudante de ciência da computação da Universidade de Montreal, disse estar “aterrorizado” com a situação, pedindo que equipamentos militares adicionais sejam enviados para seu país, onde sua família mora.

Alguns manifestantes seguravam um retrato de Vladimir Putin coberto com uma mão ensanguentada, e outros carregavam bandeiras ucranianas ao vento.

Outras manifestações também foram organizadas em Halifax, Winnipeg, Vancouver e Toronto nos últimos dias.

Fonte: G1