ONG criada por médico oferece serviços de saúde para população de rua

Antes mesmo de criar a ONG, o médico Mário Vicente Guimarães já realizava atendimentos pelas ruas de São Paulo. Hoje, a organização fundada por ele ajuda milhares de pessoas em situação de rua em diversos estados brasileiros

Para o médico Mário Vicente Guimarães, era comum atender pessoas em situação de rua vistas no trajeto entre a estação de metrô mais próxima e a universidade onde leciona, em São Paulo. A ação voluntária já era realizada desde 2015, mas o médico, que fez pós-graduação na Universidade Harvard, nos EUA, e é professor de Neurologia e Neurocirurgia, sentia que precisava fazer ainda mais.

O primeiro passo foi convidar alunos e colegas de trabalho para que fosse possível atender mais pessoas. “Decidi, então, criar uma ONG que oferecesse de forma gratuita saúde física, psicossocial, econômica e espiritual”, afirma o neurocirurgião mineiro, que fundou a organização Médicos do Mundo em 2017.

Hoje, a instituição sem fins lucrativos conta com o trabalho voluntário de 12 mil profissionais, entre médicos, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, advogados e veterinários. Além disso, soma mais de 250 mil pacientes nos estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O médico informa que a organização atende também comunidades indígenas, lares de idosos, portadores de doenças graves, centros de acolhimento e áreas atingidas por catástrofes. Segundo ele, o objetivo da ONG não é apenas cuidar da saúde, mas também tirar pessoas da situação de rua com oportunidades de emprego, aposentadoria e programas sociais.

Uma das pessoas que receberam ajuda da organização é o alagoano Antônio Batista. Natural de Maragogi, o homem perambulou pelas ruas de São Paulo durante cinco anos até conhecer a ONG. Ele foi prejudicado pela crise econômica de 2014, perdeu emprego, moradia e até o contato com esposa e filhos, segundo o relato do médico Mário Vicente Guimarães.

No entanto, foram problemas de visão que o fizeram procurar os voluntários. Além de receber atendimento oftalmológico, ele conseguiu encontrar novamente sua família. De acordo com o fundador da Médicos do Mundo, eles procuraram a filha dele nas redes sociais e a jovem os respondeu, emocionada.

A organização também conseguiu documentos para o alagoano, passagem, roupas novas e alimento. No fim, a esposa o aceitou de volta.

Também há casos de pacientes que se tornam voluntários da instituição, como o marinheiro Antônio Almeida, de 64 anos. Natural de São Paulo, ele passou por muitas dificuldades financeiras e de saúde em meados de 2017, mas conheceu a Médicos do Mundo quando morava em uma casa de acolhimento do município.

Ele conta que começou a fazer tratamento neurológico e fisioterapia, que hoje trabalha em um centro de idosos da cidade e faz questão de auxiliar nas iniciativas da ONG, montando a estrutura e orientando novos participantes.

Para a fisioterapeuta Cristienne Fernandes Galhardi, que atendeu o marinheiro durante o processo de reabilitação dele, ver Antônio como voluntário foi gratificante. “Usar minha profissão para reduzir a dor que ele e tantas outras pessoas sem condições sentem não tem preço”, conta ela.

A fisioterapeuta incentiva mais profissionais a se tornarem voluntários da instituição e a sentirem, na prática, os benefícios de fazer o bem. “Ajudar nos faz crescer como seres humanos”, afirma.

Fonte: Observatório do Terceiro Setor