De acordo com pesquisa, 91% das igrejas particulares da amazônia contam com comércios solidários

Espaços permanentes comercializam  produtos agroecológicos, da agricultura familiar e economia solidária

Uma pesquisa da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam-Brasil) indica que em 91% das arquidioceses, dioceses e prelazias da Amazônia brasileira existem espaços permanentes de comercialização de produtos agroecológicos, da agricultura familiar e economia solidária. Os dados foram publicados na pesquisa “Comercialização Solidária na Amazônia brasileira”, lançada na última segunda-feira, 14.

O objetivo do levantamento é identificar e fortalecer os espaços de comercialização de produtos agroecológicos e de economia solidária na Amazônia brasileira.  A pesquisa também visa contribuir com a construção de alternativas ao desenvolvimento que levem em conta a proteção integral da Amazônia.  

A coleta dos dados foi realizada entre os meses de junho e julho de 2021, com a participação dos regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na Amazônia, representantes das dioceses e prelazias e de lideranças dos projetos e comunidades acompanhadas pela Repam-Brasil.  

Das 57 arquidioceses, dioceses e prelazias da Amazônia brasileira, onde a Repam-Brasil possui atuação, 51 participaram da pesquisa.

Os espaços

Os dados indicam que a maior parte desses espaços de comercialização são as tradicionais feiras que reúnem diferentes modalidades e produtos, abastecendo comunidades e até cidades inteiras com hortaliças, verduras, frutas, pequenos animais e outros itens produzidos pelos agricultores e agricultoras. 

Em 28% das Igrejas particulares existem Feiras de Economia Solidária, que reúnem empreendimentos solidários urbanos e rurais, mas também cooperativas, redes de comercialização e outras experiências de economia solidária, segundo a Repam. Os dados indicam que 19 municípios possuem espaços de comercialização. Destes, 5 são organizados pelas arquidioceses, dioceses e prelazias.  

Desafios e perspectivas

Os participantes da pesquisa também relataram desafios entre eles incentivos financeiros para a produção, assessoria técnica, transporte dos produtos, estratégias para aproveitamento dos produtos não comercializados e parcerias.   

A analista de projetos sociais da Repam-Brasil, Arlete Gomes, explica que, com os resultados da pesquisa, a Rede pretende “contribuir para que as comunidades, associações e outros grupos produtivos possam fortalecer suas capacidades de produção e comercialização”.

Ao final da publicação, entre as reflexões oferecidas como análise e contextualização, a Repam aponta a necessidade “urgente” de “reconstruir os modelos de produção e consumo para cuidar da Amazônia”.

“Os projetos e iniciativas territoriais que são acompanhadas pela Rede fortalecem o chamado do Papa Francisco para firmar um novo pacto pela economia. Essas experiências não estão centradas no lucro e na exploração desenfreada, mas ao contrário, na partilha,  solidariedade e no respeito aos tempos da natureza. Por isso, a REPAM-Brasil continuará apostando nessas alternativas para romper com os atuais modelos de produção e consumo e para a promoção de justiça socioeconômica junto às comunidades”.

 

Clique AQUI e acesse a íntegra da pesquisa 

 

Fonte: CNBB.