Um padre bombeiro voluntário em Petrópolis

Sacerdote Sebastião Reia, pertence a Arquidiocese de Niterói, na Região Metropolitana do estado do Rio de Janeiro

Com as fortes chuvas que atingiram Petrópolis, na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, dia 15 de fevereiro, segundo a Prefeitura de Petrópolis e o Corpo de Bombeiros, centenas de pessoas perderam a vida, várias ficaram desabrigadas ou desalojadas. Nesse cenário de destruição entram em cena os Bombeiros Voluntários, e entre estes vários Bombeiros está o padre Sebastião Reis, da quase Paróquia Santa Luzia em Santa Luzia, São Gonçalo no estado do Rio de Janeiro.

“O padre salva almas, o padre socorrista resgatista salva vidas!”

O sacerdote da Arquidiocese de Niterói, na Região Metropolitana do estado do Rio de Janeiro, contou um pouco sobre esse trabalho voluntário em Petrópolis, o cenário que ele encontrou e como podemos ajudar as pessoas vitimadas por essa tragédia. “Petrópolis hoje é um cenário de guerra! A cidade está destruída, são centenas de casas destruídas, que vieram abaixo, carros empilhados presos a postes, carros dentro do rio, corpos sendo retirados a todo o instante dos escombros, em várias ruas. Terra, lixo, que vão aumentando e se acumulando. A cidade não dorme, mas chora!!!”, relatou o padre.

“Eu sou Padre há 22 anos, e depois de mais de 20 anos, durante a pandemia, resolvi fazer o curso de socorrista, pela MRSA, Brigada Voluntária em São Gonçalo, e depois deste fiz o curso resgatista, em ambiente de selva, chamado APH Tático, área de conflito, no RASMUB, em Tinguá, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Atualmente, atuo em Maricá, como voluntário socorrista, na base, em São José do Imbassaí. Recebi, recentemente, o cargo de Comandante do grupamento mirim da CIA Michael Álves. São anos de treinamento,  cursos no ramo, que não param. É preciso sempre nos atualizarmos. O que eu acreditava ser impossível, em minha vida, se tornou possível: salvar vidas! Hoje, além de Padre, sou socorrista e resgatista qualificado. A gente lida com vidas, a gente lida com 100%, e não 99,90%.  Admito, é preciso muita resiliência!”, contou o sacerdote como foi a sua formação.

Ainda na entrevista, rápida em meio aos inúmeros atendimentos que o sacerdote vem fazendo ele relatou o cenário como é ser sacerdote e resgatista, disse ele, com entusiasmo no coração que “é juntar o útil ao agradável. O padre salva almas, o padre socorrista resgatista salva vidas! Está tudo aí. Nunca imaginei em minha vida fazer esse tipo de trabalho, mas acredite, Deus está abençoando.”.

“Se hoje eu sou socorrista e resgatista, foi porque Deus assim permitiu e meu lema tem sido: porque vidas importam.”, relata o padre.

“Todas as equipes aqui de busca e salvamento necessitam de pás, enxadas, picaretas, e material humano para ajudar. Petropolitanos precisam de muita oração, roupas, calçados e roupas íntimas, roupa de cama, agasalhos, alimento e … óbvio, água.”, relatou padre Sebastião, informando como podemos ajudar, através de “…uma corrente de amor, compaixão, união, mesmo que à distância, que o nosso bom Deus faz chegar àqueles corações. E também, deixando doações nos postos determinados pela Prefeitura, Defesa Civil e Igrejas.”, destacou ele.

“Mateus 2, versículos 17 e 18 resume hoje o que a cidade acaba de passar: Assim se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias: ‘ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos e não quer ser consolada, porque  não existem mais.’ Se hoje eu sou socorrista e resgatista, foi porque Deus assim permitiu e meu lema tem sido: porque vidas importam. Deus abençoe a todos, em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo. Amém.” , encerrou a entrevista padre Sebastião Reis, continuando o atendimento ao povo petropolitano.

Fonte: Vatican News.