Professor da Católica SC explica como durante a pandemia ressignificamos o valor da vida

Doutor em Filosofia do Centro Universitário de Jaraguá do Sul, Itamar Gelain, contextualiza como as relações sociais estão se alterando em decorrência do atual cenário e, consequentemente, a percepção do valor a vida

“O tempo que vale a pena ser vivido é o tempo presente. É o aqui e o agora. O restante não nos está disponível”, pontua o doutor em Filosofia e professor da Católica SC, Itamar Gelain.

O valor da vida pandemia exigiu muitas adaptações para todos do ponto de vista social, econômico e espiritual. Entre esses desafios esteve a necessidade de lidar diariamente com um elevado número de óbitos. Além disso, durante um bom tempo, a incerteza da prevenção ou cura. E tudo isso trouxe o desafio da resiliência para grande parte da população.

Na avaliação do professor doutor em Filosofia do Centro Universitário de Jaraguá do Sul, Itamar Gelain, quando falamos no valor da vida é preciso relacionar ao valor do tempo.

“A vida é um intervalo de tempo. Além de existir precisamos viver. Viver tem a ver com fazer a vida valer a pena, isto é, fazer o tempo valer a pena. Os epicuristas falam do carpe diem, ou seja, colher o dia, colher o momento, colher o presente. Não podemos ficar presos no passado e nem acorrentados no futuro. O tempo que vale a pena ser vivido é o tempo presente. É o aqui e o agora. O restante não nos está disponível”, explica.

SERÁ QUE ALGO VAI MUDAR?

Essa contraposição de realidades é o que acaba ocasionando o desespero na maioria das pessoas, e até mesmo a frustação quando a situação acaba não sendo solucionada, prolongando o sofrimento que parece coletivo. Apesar de muitos encararem o momento com um potencial de mudança, ou até mesmo sentirem algo se modificar, Gelain é mais cauteloso e acredita que a mudança acaba sendo mais lenta e demorada do que imaginamos.

Na perspectiva do professor, a ideia de transformação talvez venha para aqueles que de fato enfrentaram a doença ou tiveram que encarar o luto.

“Tenho a impressão de que a pandemia não suscitou muitas mudanças nas pessoas. De um modo geral, continuamos nos alimentando com as velhas crenças e com os velhos hábitos. É um olhar pessimista. Pode ser que, talvez, as pessoas que aprenderam com a pandemia, de fato, foram aquelas que contraíram a Covid-19 ou perderam familiares em função dela. Aprenderam com a dor e na dor, o que é muito mais difícil e cruel”, destaca.

O EFEITO DAS AULAS ON-LINE

Na questão do relacionamento com os alunos, o professor destaca que  o que se perdeu foi o elemento emocional do encantamento dos estudantes em decorrência do modelo on-line. E que, nesse sentido, de fato a pandemia não tem permitido que isso aconteça com o mesmo vigor e com a mesma vitalidade. “Creio que os próprios estudantes têm notado o quanto o distanciamento tem dificultado o ensino e a aprendizagem. A sala de aula física é o palco da vida pedagógica e da vida didática de um professor. É nesse palco que o estudante tem a chance máxima de aprender o conteúdo enquanto se encanta e se emociona”, relata Gelain em sua experiência enquanto filosofo e professor.

A temática “O valor da vida em tempos de pandemia” foi o assunto central do encontro ‘Debate Ciência, Cultura e Fé’, realizado pela Católica SC no primeiro semestre de 2021 em formato on-line.  O objetivo principal do encontro foi oferecer ao público uma reflexão atualizada sobre os desafios do contexto pandêmico relacionados à defesa da vida. Entre os palestrantes convidados esteve o professor Gelain.

Matéria excluxiva do site Solidariedade Que Aquece.