‘Um dia para a África’ acredita na transformação social do mundo pelas ações individuais

Segundo a voluntária Michelle Fernandes: “Cada pessoa, de forma livre e generosa, pode fazer o que é possível para a transformação de uma determinada realidade”

Da ideia de que não podemos transformar o mundo sozinhos, porém que cada um pode à sua maneira, livre e generosamente, transformar uma realidade nasceu o Um dia para a África. O projeto propõe ajudar os povos africanos em Moçambique, país do sul da África, que possui regiões consideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU) como as mais pobres do mundo. 

Com a ajuda de freiras, os voluntários produziram e venderam canecas e camisetas com o logomarca do projeto. O valor arrecadado foi destinado à missão Claretiana que atende na região da Zambézia, em Moçambique, e serviu para comprar alimentos e medicamentos para mulheres grávidas, ajudando a combater doenças e  fome, protegendo as mães e seus bebês durante o período da gravidez.

Com o ótimo resultado da ação, surgiu  a ideia de realizar atividades voluntárias no Centro Especial de Acolhida para Pessoa Imigrante, em São Paulo, o que vem ocorrendo há quatro anos. O foco neste caso são mulheres e crianças vindas de outras regiões e continentes em busca de uma vida melhor no Brasil. Para essas mulheres e crianças são realizados trabalhos voluntários na Casa do Imigrante. Entre as ações esteve a celebração do Dia das Mães, para a qual foi organizada um campanha do agasalho a fim de arrecadar roupas para o frio. Além disso, foi feito um trabalho de conscientização para essas mulheres sobre a saúde da mulher. E em dezembro sempre é realizada a festa de Natal para as crianças refugiadas.

Ação focada na saúde da mulher.

Atualmente o projeto está sob responsabilidade de Poliana Rodrigues, Ana Paula Lazzetto, Stefany Martins e Michelle Fernandes, esta última que é colaboradora da FTD Edudação. Cada ação voluntária conta ainda com muitos doadores, além de profissionais diversos como médicos, dentistas, psicólogos, assistentes sociais, entre outros.

“Cada vez que fazemos um movimento para o bem, movimentamos tudo que existe de melhor no interno ou no externo de nós”, destaca Michelle

Michelle explica ainda que o projeto surgiu com essa ideia de fazer o possível. “Quando Um dia para a África  foi pensado, o nome já determinava a sua prática: ‘UM DIA’. Ninguém precisa passar a vida toda fazendo serviços voluntários, mas uma vez, um dia participando de uma ação solidária pode ser o suficiente para alguém encontrar respostas e oferecer soluções que transformem o mundo em um lugar melhor para todos. O contato com uma realidade diferente da sua gera empatia e nós acreditamos que a empatia transforma o mundo — essa é a nossa maior satisfação”, conta.

A voluntária compartilha ainda que trabalhar com os povos africanos é vivenciar, todos os dias, a morte, a fome, a desnutrição e a miséria extrema. E, quanto ao imigrante, ressaltou que ele chega de outro país, cheio de sonhos, mas somente consegue um trabalho e uma forma de vida precários. Além disso, necessita ainda contar com a ajuda de outras pessoas para conseguir sobreviver de forma incerta em um ambiente totalmente diferente do seu, uma realidade difícil enfrentar.

Presenciar essa frustração no voluntariado traz o desespero,  porém a escolha de ajudar a causa prevalece. As dificuldades serão enfrentadas e o que importa é persistir e lutar acreditando que o voluntariado pode não mudar o mundo, mas com certeza transforma a realidade e o mundo de algumas pessoas.

Ser voluntária

Cada uma das integrantes voluntárias do Projeto tem uma história diferente com o início do trabalho voluntário. Maria Poliana, por exemplo, é a  que possui a história mais longa e consistente em ações voluntárias, pois começou há 25 anos. Ainda na infância foi incentivada pela filosofia do colégio de padres em que estudou e em sua casa, onde os ensinamentos sobre dividir e compartilhar sempre foram constantes. 

Na adolescência Maria já sabia que realizando trabalhos voluntários não conseguiria transformar o mundo todo como tinha imaginado. Só que percebeu que as pequenas ações poderiam mudar a realidade de alguém. Conforme relata Michelle, ao chegar nesse entendimento, percebe-se que somos transformados e isso gera força para continuar lutando pelas realidades que acreditamos, sentindo empatia e um desejo de mudança. 

Michelle cita ainda Martin Luther King, que ajuda a entender essa motivação que pode começar cedo ou tarde no coração de uma pessoa: “Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver”.