Rede Marista motiva cultura da solidariedade a partir do voluntariado educativo

Movimento Pastoral reúne os jovens dos Colégios Marista incentivando a cultura da solidariedade para ajudar a comunidade em Porto Alegre (RS)

Não há contraindicação para quem quer fazer o bem. A solidariedade não tem idade ou classe social. Assim, ajudar o próximo é uma missão que o Movimento Pastoral da Rede Marista em Porto Alegre (RS) busca ensinar e fomentar junto aos jovens estudantes do Colégio Marista Champagnat. O objetivo é promover um voluntariado educativo, assim a Pastoral organiza encontros formativos e acompanha a trajetória dos jovens nessa caminhada solidária.

Nos moldes mais tradicionais e antes da pandeia, a forma de reforçar essa cultura da solidariedade e aproximar os jovens da comunidade ocorria nos encontros semanais e formativos realizados. A partir disso, mobilizavam-se ideias para ocasiões celebrativas como a Páscoa, o Natal e Dia das Crianças. Porém, a crise sanitária da Covid-19 expôs outras fragilidades e exigiu uma mudança geral, ainda que à distância, do voluntariado a fim de manter a esperança.

Como explica o agente de Pastoral da Rede Marista, Éder Silva de Oliveira, foi necessário trabalhar essa proposta da educação para o voluntariado como oportunidade. Em meio ao cenário ímpar e com as atividades presenciais restritas, o online sustentou as conexões.

“Criamos uma rede de apoio dos alunos e alunas voluntárias que junto com suas famílias buscaram cultivar ações do bem em prol das comunidades mais vulneráveis. Nosso tradicional retiro precisou ser online em 2020 e aproveitamos para tratar da qualidade de vida durante a pandemia. Adaptações que tivemos que fazer, porém que mantiveram acessa a cultura da solidariedade”, relata.

Ações na pandemia

Como exemplo das ações do Movimento Pastoral do Colégio Marista Champagnat estiveram as campanhas de doação de mantimentos e produtos de limpeza para a Escola de Educação Infantil Tia Jussara, na Ilha dos Marinheiros de Porto Alegre, além da arrecadação de caixas de chocolate para as crianças em celebração ao Dia das Crianças. Para além da comunidade escolar, os jovens elaboraram cartas para os funcionários do Hospital São Lucas da PUCRS. Outra ação envolveu o Lar de Idosos Gustavo Nordlund com muita música e partilha de ideias, experiências e memórias entre os jovens e idosos.

Foi realizado ainda um Workshop com o instituto Vida Urgente, discutindo cidadania e mobilidade urbana com os estudantes que resultou em uma carta para a prefeitura de Porto Alegre. O documento registrou as reivindicações de melhorias em infraestrutura e tráfego, seguindo como parâmetro situações de dificuldade dos jovens em se locomoverem na cidade. Além disso, o Voluntariado foi representado no projeto Voto pela Vida, em que os jovens dialogaram com os candidatos à prefeitura da capital acerca de suas propostas, assim estimulando o ato da cidadania

O agente de Pastoral destaca o período foi de muito aprendizado e troca. “Temos trabalhados diversos temas entre eles direitos humanos, protagonismo juvenil, autocuidado e autoconhecimento, valorização da vida, oficinas de contação de histórias, meditação, jogos e brincadeiras pedagógicas”, explica a dinâmica, Oliveira.

Clique aqui e confira o vídeo do Dia do Voluntariado organizado pela Rede Marista e conheça um pouco mais das ações realizadas.

Impactos reais

Para a Sofhia Rogério, voluntária estudante do 3º Ano do Ensino Médio, várias experiências em sua trajetória no voluntariado foram marcantes. Na memória, os encontros presenciais ganham um lugar especial. “Uma das minhas experiências favoritas foi a festa junina que organizamos. Fizemos um lanche coletivo junino, preparamos diversas brincadeiras como pescaria e boca do palhaço, e assistimos as apresentações dos alunos. Foi um momento muito divertido, todos dançamos juntos e brincamos, e as crianças estavam bem envolvidas e alegres”, compartilha.

Esse crescimento em comunidade e outras visões de mundo é o que torna os momentos inesquecíveis para Sophia. A percepção é compartilhada também pela voluntária Manuela Célia Luz, do 2º Ano do Ensino Médio. “Cada atividade do voluntariado traz uma oportunidade de reflexão para olhar o mundo de um ângulo diferente. Entramos em contato com realidades totalmente opostas a nossa, praticamos a empatia, a responsabilidade e o respeito através de pequenas e grandes ações”, observa Manuela.

Levar e receber amor e alegria é a experiência mais marcante na avaliação da voluntária e estudante do 2º Ano do Ensino Médio, Maria Eduarda Nascimento de Souza. “Minha experiência mais significativa em ser voluntária foi a Páscoa em que me vesti de coelhinha para as crianças da creche tia Jussara, em 2019. Esse momento despertou em mim uma criança que estava escondida no fundo do coração. Foi tão mágico acompanhar a inocência das crianças e perceber que nada mais importava, afinal o coelhinho da Páscoa estava presente. Não vejo a hora de poder fazer isso novamente”, relara a estudante.

Conforme destaca, a voluntária e estudante do 3º Ano do Ensino Médio, Mariana Weremeier Weber, apesar da suspensão nas saídas para os centros sociais, o voluntariado se reinventou, porém não desistiu. “Em um ano tão difícil como 2020, a presença de mensagens tão positivas e ações promovendo o bem-estar coletivo nos deram a certeza de que todo o esforço não é em vão e que estamos no caminho para quebrar as barreiras do preconceito e da intolerância e construir uma sociedade mais humanizada”, compartilha Mariana. Não há dúvidas de que mesmo com as restrições, fazer o bem, inspira o bem.