Um missionário marista em solidariedade com o Sudão do Sul

Conheça um pouco do trabalho dos Maristas ao redor do mundo

Desde 2003 que os irmãos Maristas colaboram de maneira ativa com o projeto Solidariedade Sudão do Sul (SSS), que atualmente conta com 19 membros de 14 congregações católicas. Os irmãos Maristas estão presentes na comunidade de Riimenze, a 30 quilômetros de Yambio, uma das quatro comunidades intercongregacionais do projeto. Em 2013, o Ir. Christian Mbam foi um dos primeiros Maristas presentes no país e, em 2014, juntaram-se a ele os irmãos Longinius Dimgba e Mathew-Mary Ogudu.

Posteriormente, o Ir. Mathew-Mary teve que deixar o Sudão para trabalhar no MIC. Os irmãos Christian e Longinius permaneceram no país para continuar a Missão Marista. Em fins de 2020, o Ir. Christian Mbam terminou seu tempo no Sudão do Sul, depois de sete anos trabalhando na educação, na pastoral e na agricultura. Depois de sua partida, a Província da Nigéria enviou o Ir. Sylvanus-Aniebet Victor Okon para se juntar ao Ir. Longinius Dimgba e poderem, assim, continuar trabalhando no projeto da União de Superiores e Superioras Gerais (UISG e USG), apoiada por 260 congregações, doadores e agências internacionais, que trabalham para melhorar a qualidade de vida das populações do Sudão do Sul.

A seguir, o Ir. Sylvanus-Anibiet nos apresenta um resumo do projeto SSS e sua missão como Marista naquele país.

“Os membros do Solidariedade com o Sudão do Sul trabalham em quatro áreas principais que visam treinar, acompanhar e capacitar os sudaneses do sul para serem autossuficientes e sustentáveis. Essas quatro áreas críticas de necessidades envolvem treinamento de parteiras e enfermeiras, agricultura sustentável, trabalho pastoral e formação de professores.

Objetivando dar vida e continuidade à essa missão no Sudão do Sul, fui destacado para o Solidarity Teachers Training College (STTC), após um longo processo de discernimento e triagem pela comissão encarregada da missão da Casa Geral, habilmente liderada pelo Ir. Valdicer Fachi e o diretor da Solidariedade com o Sudão do Sul, o Pe. Jim Green MAfr, quando fui nomeado Tutor pelo diretor executivo do Solidariedade no Sudão do Sul, enquanto o diretor do Colégio me nomeou como Reitor de Assuntos Estudantis do TTC.

Além disso, estarei ensinando estudos profissionais e estudos religiosos na Faculdade. O colégio é composto por professores profissionais para o ensino fundamental. Até agora, tudo bem, a equipe e os alunos que conheci são receptivos e estou otimista em poder trabalhar amigavelmente com eles. Vou garantir que as metas e objetivos do Solidariedade com o Sudão do Sul sejam alcançados.

Outro lado bonito da ‘moeda’ é a Internacionalidade da Comunidade Religiosa no Colégio de Formação de Professores do Solidariedade (STTC). A composição da Comunidade é muito singular. É uma comunidade mista de homens e mulheres de Deus. Com toda a franqueza, sou o que tem menos tempo de vida religiosa, experiência e, principalmente, idade. Sou o “Benjamin” da casa, mas também um presente especial para a comunidade, como testemunham quase todos eles. A característica principal da comunidade é a pluralidade de nacionalidades de seus membros: Ir. Jacinta é irlandesa, Ir. Margaret Shin é americana, Ir. Guile, do Peru, Ir. Metódio, de Gana e Ir. Chris, da Índia.

Eles são tão maravilhosos quanto maravilhoso foi Champagnat. Aqui nos revezamos em cozinhar, lavar a louça, limpar a casa e fazer compras para a comunidade e movimentar a comunidade de vez em quando. É uma comunidade muito sensível e ativa, onde ninguém busca poder e superioridade; é uma comunidade realista e trabalhadora. Na minha opinião, pode-se dizer dessa comunidade aquela bela frase: ‘veja como eles se amam’!

Entre outras atividades do Solidariedade damos atenção especial para garantir que meninas e mulheres do Sudão do Sul tenham igual acesso à educação e treinamento e se esforcem para se prevenir contra a violência de gênero. Entretanto, o grande desafio continua sendo que as meninas e as mulheres relutam em se inserir nesta grande agenda para elas; as meninas casam-se muito jovens ou são inseridas cedo numa família, pois a poligamia é uma prática muito comum nesse país.

Espero poder usar parte do meu tempo de férias para acompanhar o trabalho vocacional para a vida religiosa no Sudão do Sul, se for ajudado e tiver os meios. Sou grato pela oportunidade que me foi dada de ser um missionário em meu continente. Sou grato por me identificar com o povo deste jovem país e por contribuir com meus conhecimentos para a elevação e melhoria da alfabetização dessa gente. Mais ainda, espero aprender com os membros experientes da minha comunidade para o meu crescimento.

Este é apenas um breve testemunho da minha presença no Solidariedade no Sudão do Sul”.

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Ir. Sylvanus Victor Okon

Fonte: Maristas de Champagnat.